Corpos Antrópicos
Corpos Antrópicos é uma intervenção escultórico-pictórica concebida para a paisagem do Parque Aramat. A obra é composta por nove matacões pintados, distribuídos na zona de transição entre a mata ciliar, formada por espécies autóctones, e a área de paisagismo, marcada pela presença de vegetação alóctone. Ao ocupar esse espaço liminar, a instalação evidencia as camadas de transformação que constituem o ambiente contemporâneo. O Parque Aramat apresenta-se como um território híbrido, onde córregos naturais e vegetação nativa coexistem com lagos artificiais e espécies introduzidas, configurando uma paisagem resultante da contínua interação entre processos naturais e ações humanas. Os matacões, elementos geológicos associados à permanência e à escala profunda do tempo, recebem intervenções pictóricas que os deslocam simbolicamente de sua condição original. Tornam-se, assim, corpos marcados pela cultura, vestígios materiais da ação humana sobre o mundo e metáforas da condição antrópica que caracteriza o presente. Ao evocar as transformações ambientais decorrentes da presença humana na Terra, a obra propõe uma reflexão sobre as fronteiras cada vez mais difusas entre natureza e artifício. Nesse contexto, Corpos Antrópicos insere-se no debate contemporâneo acerca do Antropoceno, período em que a atividade humana se tornou uma força capaz de alterar ecossistemas, paisagens e ciclos planetários. Colaboraram na expressão pictórica do projeto os artistas Harry WBP e João Lejambre.
Fernando Limberger
Fernando Limberger (Rio Grande do Sul, 1962) vive e trabalha em São Paulo desde 1989. Graduado em Artes Plásticas pelo Instituto de Artes da UFRGS, em Porto Alegre. Atua como artista plástico, paisagista, jardineiro e curador. Sua pesquisa iniciou-se em meados dos anos 1980, investigando relações entre desenho, pintura, escultura, instalação e paisagismo, borrando as fronteiras entre o orgânico e a geometria, o natural e o artificial. Foi artista fundador do grupo Arte Construtora nos anos 1990 e do JAMAC nos anos 2000. Recebeu premiações da FUNARTE, Prefeitura de Porto Alegre, CCBB e o Prêmio por Histórico de Realização em Artes Plásticas do Governo do Estado de São Paulo. Apresentou diversas exposições individuais e coletivas nacionais e internacionais, com destaque para a 1ª e 8ª Bienal do Mercosul, e realizou a curadoria da exposição Amelia Toledo: Paisagem Cromática no MuBE (2024).