Jardim Mikado
A obra Jardim Mikado propõe uma abordagem espontânea, lúdica e intuitiva da concepção do jardim. A partir de um gesto simples — o lançamento de varetas de mikado sobre a grama — o jardim deixa de ser desenhado: ele acontece. Esse gesto desencadeia o processo de criação. As varetas caem, se cruzam e se sobrepõem livremente, gerando uma composição imprevisível de linhas, interseções e tensões, transformando um acontecimento efêmero em uma paisagem duradoura. Essa configuração aleatória torna-se a trama originária do jardim; ela não é corrigida, mas interpretada e tornada habitável. A obra constrói-se assim a partir de um princípio de indeterminação, no qual a forma não é decidida, mas revelada. Desse jogo nasce um jardim em grande escala. As formas obtidas evocam a arte abstrata do início do século XX, ao mesmo tempo em que se inserem plenamente em uma paisagem viva e evolutiva. Jardim Mikado reivindica uma estética do acaso assumido, na qual o jogo se torna método de criação e a paisagem, entre arte e natureza, apresenta-se como uma experiência a ser percorrida, mais do que um objeto a ser contemplado.
Jean Paul Ganem
Jean Paul Ganem (17/12/1964, Tunis, Tunisie). Atua com intervenções na paisagem (Interventions dans le paysage) há mais de duas décadas. Desenvolveu obras em Itaquaquecetuba (SP) ('Arvore Floresta', 2025), no Vale do Anhangabaú (SP) ('Folhas Vivas', 2025), em Caxias do Sul (RS) ('Labirinto', 2025), no Canadá ('Papillons Berthier', 2025; 'Singhampton project', 2012; 'Variations', 2014; 'Ombre de Ville', 2007-2008), na França ('Vague Verte', 2019; 'Cosmos', 2018; 'Tourbillon de l'Histoire', 2013) e no Jardim Botânico de São Paulo ('O Caminho do Rio', 2013). Sua trajetória inclui residências e instalações em espaços públicos, monumentos arqueológicos e áreas rurais na França, Canadá e Brasil, unindo arte, natureza e inserção social.

